*Stefan Massinger

 

Como foi matéria da semana passada – a safra 2021/22 promete de ser uma das melhores safras nacionais. Mas infelizmente temos um fato preocupante na criação de bons vinhos. – o uso de fertilizantes para salvar outras plantas. Segundo a Associação dos Produtores de Vinho Finos da Campanha Gaúcha, herbicidas aplicados nas lavouras de soja causaram a perda de 15% da produção de uvas para vinho na safra 2021/22. O presidente da Associação dos Produtores de Vinho Finos da Campanha Gaúcha, Valter Potter, diz que um problema que se repete há cerca de cinco anos causou a perda de 15% da produção de uvas para vinho no Estado na safra 2021/2022, o correspondente a 1 milhão dos 7 milhões de quilos produzidos anualmente. Ele se refere à deriva dos herbicidas hormonais, especialmente os que têm como princípio ativo o 2,4-D, aplicados nas lavouras de soja para eliminar a buva, planta invasora muito resistente e comum no Estado. Segundo os produtores, o agrotóxico é levado pelo vento, “viaja” até 30 quilômetros e causa prejuízos milionários em culturas sensíveis, como uvas, maçãs, oliveiras e outras frutíferas. O 2,4-D mata as plantas novas e atrofia as adultas, causando o enrugamento das folhas e o abortamento da floração, o que reduz o vigor da planta e derruba drasticamente a produção. O produtor alega que as normativas criadas pela secretaria para regular o uso do agrotóxico e aplicar multas aos infratores das normas só funcionam no papel. Segundo ele, todos os vinhedos de Don Pedrito, onde ele tem sua produção e uma vinícola, e grande parte dos vinhedos de Bagé, de Livramento e Jaguari sofreram com a deriva do 2,4D novamente. Até uma área experimental da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) em Don Pedrito foi prejudicada por duas derivas do produto hormonal. Rafael Lima, chefe da Divisão de Insumos da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) do Rio Grande do Sul, disse que 101 amostras de culturas sensíveis aos produtos hormonais da safra 2021/22 foram testadas neste ano e em 88% foi constatada a presença do 2,4-D. No total, 68 propriedades de 24 municípios foram atingidas. O Laboratório de Análises de Resíduos de Pesticidas (LARP) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) ainda deverá entregar à secretaria laudos referentes a outras 19 coletas. As amostras colhidas de agosto a novembro do ano passado só foram analisadas em janeiro porque não havia recursos no orçamento da secretaria para bancar os testes. “Estávamos aguardando verba das indústrias fabricantes do 2,4-D que estavam previstas no acordo feito com o Ministério Público, mas elas não vieram.” Este ano, os recursos para bancar os testes já foram previstos no orçamento da Seadpr. “Serviu como alerta para o Estado não depender de terceiros”, diz Lima. Quando a origem e o uso de agrotóxicos proibidos são identificados, além das multas que variam de R$ 1 mil a R$ 23 mil, o produtor infrator está sujeito a ser processado pelo Ministério Público. Na maioria das vezes, diz Rafael Lima, a deriva ocorre por deficiência ou má regulagem do equipamento de aplicação ou porque não são observadas as condições climáticas no momento de aplicar o produto na lavoura. – Traduzido: Aplique-se quando quiser, independente se o vento leva o veneno até os vinhedos ou não … Desde dezembro de 2020, tramita na Justiça estadual uma ação civil pública movida pela entidade presidida por Valter Potter em parceria com a Associação Gaúcha dos Produtores de Maçãs (Agapomi) que pede a proibição do uso de produtos com o princípio ativo 2,4-D em todo o Estado. “Infelizmente, a Justiça no país é muito lenta. Houve despacho do juiz favorável a nós, mas o Estado recorreu e agora vamos ter que contestar o recurso”, diz Potter. Na decisão liminar, em agosto, o juiz Eugenio Couto Terra, da 4ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre, havia determinado que o governo gaúcho deveria apresentar um cronograma de implantação de um plano de efetivo controle de uso dos pesticidas hormonais, com metas aferíveis em curto, médio e longo prazo.

Leia mais em: https://www.comprerural.com/produtores-de-uva-estimam-prejuizo-milionario-veja-a-causa/

 

* Stefan Massinger nasceu na Áustria, sul de Viena, numa de pessoas e vendas. Também trabalhou com venda de vinhos região de vinhos. Vive em Caraguatatuba, sendo master do grupo Wine, o maior e-commerce de vinhos da América Latina, responsável para gestão e atua também como consultor independente de negócios.

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