*Stefan Massinger

 

Já estamos quase na metade do ano e só agora nosso blog está publicando algumas tendencias. Sim, por alguns motivos. O primeiro, porque eu quis verificar se mesmo tudo que se vê no inicio do ano realmente vai ficar e segundo, como estamos nas chegadas das novas safras, poderia mudar algum aspecto das novidades. Seguindo o blog da revista “exame”, restam 6 tendencias para o mercado do vinho brasileiro, que vamos apresentar aqui, 3 esta semana e 3 na próxima – e como é de bom costume depois vou comentar, dando minha opinião sobre estas tendencias. Abriremos este ciclo de 3 semanas então com as primeiras 3 tendencias para 2022:

Preços em alta

A cena de vinhedos franceses iluminados por velas e fogueiras rodaram o mundo em abril do ano passado. A imagem simbolizou as geadas fora de época, que reduziram sensivelmente o volume da safra na Europa, principalmente na Borgonha. Poucos meses depois, importadores receberam as novas tabelas de preços, com aumentos de mais de 20%. E não foi só a geada que causou a subida de preços: houve aumento nos custos de produção e transporte nestes tempos de Covid. Para cruzar o Oceano Atlântico, os custos de importação explodiram desde o início da pandemia. Segundo Adão Morellato, da International Consulting, o valor dos fretes entre Europa e Brasil quintuplicaram nos últimos dois anos, enquanto o aumento da espera para liberação de mercadorias pesou no fluxo de caixa dos importadores. “Containers que custavam antes 700 euros hoje não saem por menos de 3 mil euros, e o que antes levava 10 dias para liberar, hoje ultrapassa os 30 dias”, afirma. “Frente aos aumentos de preços, os consumidores se dividem em três grupos: a minoria, que não muda seu perfil de consumo; aqueles que reduzem a quantidade de consumo e os que continuam gastando o mesmo valor, mas por um vinho de menor qualidade.”

Saúde e moderação no centro das escolhas

Em meados de 2021, a chef Janaina Rueda teve a ideia de introduzir o vinho sem álcool nos restaurantes Bar da Dona Onça e Casa do Porco, em São Paulo. “Começamos com a bebida no menu especial, mas a procura nos levou a incluir os rótulos na carta”, conta ela. Desde então, a procura por bebidas com menor teor alcóolico — com maior destaque —, ou sem álcool só aumentou em seus restaurantes. Janaína chegou até a estudar a importação de uma máquina, que conheceu na Espanha, capaz de extrair o álcool de qualquer bebida. “A chefe Janaína Rueda trouxe o vinho sem álcool para o menu degustação, mas a procura a levou a incluir a bebida na carta.” A chef não está sozinha. A preocupação com a saúde e com uma vida mais saudável é também um dos reflexos da pandemia e que tem levado muitos consumidores a refletir sobre a quantidade de álcool ingerida. Um exemplo é o estudo Opportunities for Low- and No-Alcohol Wine 2021, da Wine Intelligence, que aponta que os vinhos de baixo teor alcoólico tem o maior índice de oportunidade entre os 20 mercados analisados. Nesta categoria, o Brasil alcançou o mais alto índice de oportunidade (50), seguido por Nova Zelândia (41) e Portugal (36). Também na categoria dos vinhos sem álcool, o Brasil apresentou um dos mais elevados índices de oportunidade do estudo (33). Em contraste, entre os franceses estes índices são de 22 e 18, respectivamente; e para os norte-americanos, de 28 e 20.

Novos estilos adequados à demanda

German Garfinkel, diretor de B2B e Supply da Wine, hoje a maior importadora de vinhos brasileira, se diz muito animado com a nova linha de vinhos Dadá, elaborado pela Finca Las Moras, do grupo argentino Peñaflor. Lançados em outubro de 2021, os rótulos se destacam pela alta quantidade de açúcar residual — o Dadá Art Wine 3, elaborado com Cabernet Sauvignon e Syrah, por exemplo, tem 11,28 gramas de açúcar por litro. Além da classificação como meio seco, a linha traz uma comunicação mais voltada para a experiência de provar o vinho, do que para a uva ou região produtora. O espumante, por exemplo, é chamado de Pink Sweet. “Acredito na categoria. O consumidor tem uma trajetória a percorrer com o açúcar”, diz ele. “Paralelo à tendência de provar vinhos meio secos, o consumidor brasileiro também está aberto a experimentar outras bebidas alcoólicas.” Paralelo à tendência crescente dos vinhos meio secos, em geral identificados como mais frutados e macios — quase um não vinho —, o consumidor brasileiro também se declara disposto a provar outras bebidas. O relatório da IWSR mostra que estamos em segundo lugar no ranking dos consumidores propensos a experimentar outras bebidas alcoólicas, atrás apenas dos chineses. São pessoas que aceitam passar do vinho para as cervejas especiais, os diversos uísques, coquetéis, etc. É como se o brasileiro, depois de se abrir ao universo do vinho, percebesse a oportunidade de experimentar outros aromas e sabores, talvez sem ser fiel a nenhum deles.

 

* Stefan Massinger nasceu na Áustria, sul de Viena, numa região de vinhos. Vive em Caraguatatuba, sendo Master do grupo Wine, o maior e-commerce de vinhos da América Latina, responsável para gestão de pessoas e vendas. Também já trabalhou com venda de vinhos e atua também como consultor independente de negócios.

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