A Política e o Casamento se confundem no que diz respeito ao relacionamento, a convivência, ao trato no dia-a-dia e assim como na relação marital, as desavenças entre Presidente, Governador ou Prefeito com o seu Vice são comuns até que não interfiram na gestão municipal. Estas brigas fazem parte do Folclore Político nacional e Ubatuba agora é parte integrante com mais um capítulo, ocorrido no dia três de Janeiro.

A função de Vice-Prefeito, assim como a de Vice-Governador ou Vice-Presidente até pouco tempo, mais precisamente o ano de 1985, era considerada como o Reserva, que só entra em campo em último e extremíssimo caso. No Humor Brasileiro a questão é apontada numa expressão clássica de Jô Soares, quando num esquete é convidado para ser Vice numa chapa Eleitoral. “Se eu não posso ser o Jairzinho, Cafuringa é que não vou ser!!!”.

A importância do cargo de Vice tomou força, poder e valor, como afirmamos no parágrafo anterior, em 1985, quando José Sarney tornou-se Presidente com a morte de Tancredo Neves. Deste momento em diante a escolha de um Vice tem que ser pesquisada e muito bem analisada, bem como o seu relacionamento com o Chefe do Executivo deve ser aberto, franco, com as cartas na mesa, praticando sempre o bom senso e o interesse comunitário.

Não preciso dizer que escolher um Vice é selecionar um Agente Político que tenha abrangência nas comunidades, um trabalho social notável, que seja bem quisto entre a população ou no nicho/segmento que exerce como função diariamente.

A Política Brasileira tem milhares de estórias sobre o relacionamento entre Prefeito e Vice. Na Política Regional são várias também. O Finado Jair Nunes escolheu o Professor Lúcio Jacinto por ser um professor, amado por todos e limpo no quesito Política e Honestidade. Em 1996 Antonio Carlos bateu o pé e queria porque queria José Pereira de Aguilar por ser o maior líder da Zona Sul da cidade. Em 2005 com o Vice escolhido por Antonio Carlos, o relacionamento de Aguilar com Lúcio Fernandes estagnou ao ponto do Vice perder o seu gabinete e a estrutura do cargo. O também finado Sidney Trombini escolheu o médico Márcio Rios por ser novato na política e o médico mais querido da cidade. Não podemos esquecer a última crise relatada entre os cargos, ocorrido em São Sebastião entre o Prefeito Felipe Augusto e o seu Vice Amílton Pacheco por não concordarem com o mesmo candidato ao Governo do Estado. Como se vê, a escolha do Vice obedece um padrão, mas o relacionamento nem sempre é às mil maravilhas.

Em Ubatuba esta questão folclórica não foge a regra. De acordo com os bastidores políticos a relação entre a Prefeita Flávia Pascoal e o Vice Márcio Maciel não seria das melhores a partir da posse, em Janeiro de 2021. As razões são desconhecidas e Analistas Políticos de plantão teriam avisado que trabalhar com a atual Prefeita não seria um mar de rosas com céu de Brigadeiro e que haveria arrependimento. O distanciamento aumentou ou melhor dizendo, o rompimento se tornou público no primeiro dia útil deste ano, nesta Segunda-Feira – três de Janeiro – quando Márcio Maciel – O Marcinho da ACIU – Associação Comercial e Industrial de Ubatuba – ficou sem a sua sala, que teve a fechadura trocada. O caso terminou na Delegacia de Polícia com a elaboração de um Boletim de Ocorrência intitulado como “Exercício Arbitrário das próprias razões”.

Este caso ainda vai dar muito que falar. Segundo nota da Prefeitura, divulgada pelo Portal LN 21 o Vice-Prefeito já teria sido avisado que a sua sala seria trocada pelo fato da mesma pertencer ao Fundo Social do município. Por outro lado Márcio Maciel conta que a Prefeita quer colocá-lo numa sala na Praça 13 de Maio, fora e bem longe da sede do Executivo Municipal. Marcinho da ACIU desconhece a razão para o rompimento alegando que não houve briga ou discussão que culminasse com isso. O Vice tentaria reaver a sua sala no dia seguinte, na Terça-Feira, pois a nova chave estaria em poder da Prefeita.

No fechamento deste texto recebemos a informação de uma decisão Judicial, da parte do Juiz Gilberto Soubihe, determinou a abertura da sala do Vice-Prefeito, sob pena de multa diária de R$ 10 mil à Prefeita, em caso de descumprimento.

Crises políticas internas como esta apenas tumultuam o ambiente de trabalho, trazem sequelas irreparáveis e são um prato cheio para o noticiário político regional, que durante o Verão chegam a tirar folga, visto que o assunto mais comentado são as praias, as estradas, a meteorologia e os turistas. Resta saber se esta crise tem fundamento e por causa disso, merece uma solução e que a desavença seja apenas entre a Prefeita e o Vice e não tenha interferência de terceiros e de ordem familiar, como tem se tornado prática comum na Prefeitura de Ubatuba.

Em suma, este é mais um capítulo do Folclore Político do Litoral Norte, que tem no momento espaço dedicado e reservado para Ubatuba.

Foto: LN 21 – Redes Sociais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *