O Empresário Adriano César Pereira, proprietário da Construtora Volpp, sediada em São Sebastião e atualmente recolhido no Presídio em Tremembé, prestou depoimento na Delegacia da Polícia Federal em São Sebastião no início do mês passado relatando detalhes do seu relacionamento comercial com a Prefeitura de Caraguatatuba e o ex-Prefeito Antonio Carlos da Silva. Na declaração informa que pagava Propina para o ex-Prefeito através do seu Secretário de Obras Públicas na época.

As declarações do Empresário, provavelmente uma Delação Premiada, ocorreram em oito de Outubro na Delegacia da Polícia Federal em São Sebastião, de modo voluntário ao Delegado Breno Adami Zandonadi e vinculado ao Inquérito 66/2018 sobre Fraude na obra da UPA – Unidade de Pronto Atendimento – da Zona Sul, localizada no bairro do Perequê-Mirim.

Paralelo ao Inquérito está a compra da empresa Center Trevo, de propriedade do ex-Prefeito Antonio Carlos da Silva. Segundo Adriano informou a Licitação da UPA Sul ocorreu sem fraudes, mas como em toda obra, tinha Taxa de Administração, no caso de 10%, que nada mais é do que a Legalização da Propina, com pagamento a cada medição, que no caso era entregue para o ex-Secretário de Obras Públicas, João Alarcon.

Informa o Empresário que a obra foi paralisada devido a problemas de repasse de Verba Federal. Com a paralisação surgiu o comentário sobre a venda da empresa Center Trevo, de propriedade do ex-Prefeito e que estava sob o comando de sua filha Milena e apresentava problema familiar na sua gestão. Adriano percebeu depois que a compra da Center Trevo não passava de armação, mas naquela época viu como uma boa alternativa para adquirir Material de Construção a baixo custo para a Construtora Volpp.

Relata Adriano Pereira que o valor da compra foi de R$ 900 Mil, sendo R$ 330 Mil por TED – Transferência Eletrônica de Débito – em março de 2015, R$ 170 Mil em espécie no ato da assinatura do contrato e o restante em quatro cheques de R$ 100 Mil. Sobre a armação para a compra do Empreendimento, Adriano disse ter percebido depois de tomado posse através de relato de alguns funcionários.

Por ter sido avisado pelos funcionários da casa, descobriu que haviam erros e problemas no estoque, que foram comprovados por uma Auditoria, contratada para tal. Diz ter ido reclamar com o ex-Prefeito, que aos berros, negou o fato. Com base nisso suspendeu r$ 750 Mil do pagamento restante, recebendo por causa disso Cobrança Judicial.

Relata o Empresário que a transação de compra e venda do Center Trevo ocorreu durante a obra da UPA Sul e para solucionar a cobrança seria repassar valores com a Prefeitura de São Sebastião e que a Center Trevo deveria ser fechada. Conta também que o Aditivo de R$ 394 Mil da obra da UPA Sul seria uma forma de pagar a dívida sobre a transação empresarial, com cheque pago diretamente para a família do ex-Prefeito.

Devido ao entrevero Adriano Cesar informa que ele tinha direito ao recebimento de valores baseado em medições da obra, mas que o ex-Prefeito estava “segurando”, ou seja, não efetuando o pagamento devido ao problema na Center Trevo, na ordem de R$ 300 Mil. Finaliza declarando que as fraudes apontadas pelo Prefeito Aguilar Júnior na obra da UPA são falsas.

Procurado o ex-Prefeito Antonio Carlos da Silva falou com a Redação do Contra & Verso. Chamou Adriano Pereira de “Ser Insignificante” e pertencente a uma Quadrilha que atua em São Sebastião e Ilhabela, com uma Perícia de R$ 29 Milhões de uma obra na gestão do ex-Prefeito Ernani Primazi. Confirma que comprou a Center Trevo e não pagou. “Devia R$ 720 Mil e só pagou R$ 420 Mil”, disse Antonio Carlos.

O ex-Prefeito desabafa que esta declaração tem por objetivo envolve-lo nas falcatruas que ele cometeu. “Não devo nada, a Perícia na UPA Sul mostrou que a obra estava correta”, frisou, no entanto citou que é o atual Prefeito que precisa dar explicações. “O Atual Prefeito precisa dizer porque demoliu a obra da UPA Sul e gastou mais R$ 3 Milhões”, indaga.

Quanto ao cheque informa que foi pago por Adriano com base na medição da obra. Ao mesmo tempo explica que não teve qualquer conversa ou assunto tratado com ele referente a cargos e influências na Prefeitura de São Sebastião. “Não podem me acusar de nada, o meu BDI na Prefeitura era de 15%, o mais baixo da região, com desconto de 20 a 25%, que é menor do que a tabela PINI”, retruca quando se refere a Propina. BDI significa “Bônus Direto e Indireto”, ou seja, é o lucro que o Prestador de Serviço tem ao vencer uma obra na Prefeitura de Caraguá na gestão dele. PINI é a tabela oficial para a realização de obras em todo o Brasil, onde constam valores médios para cada tipo de construção.

O ex-Prefeito finaliza apontando que Adriano Pereira quer incriminar ele e toda família num jogo político. Adriano Pereira está preso no Presídio de Tremembé, juntamente com o Vereador e Advogado Flávio Nishiyama, só que em alas diferentes e separadas.

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