*Stefan Massinger

 

Vários blogs informem, que a safra 2022 indica de ser algo excepcional. Mas peraí – as safras de 2020 e de 2021 já não forma fantásticas? Agora estamos superando a qualidade todo ano? O que está atrás deste fenômeno?

Sim, caros leitores – mudanças climáticas são responsáveis para estes resultados. Devagarinho, se nada “volta atrás”, estamos vendo uma mudança no terroir brasilense, principalmente no sul do país, onde tem 90% da produção de vinhos finos do país.

O resultado de calor e seca excessiva no Sul foi uma produção nacional que vai render vinhos no estilo de outros países sul-americanos, em especial o Uruguai. Com isso, o Brasil terá mais tintos concentrados e cheios de fruta e menos brancos e espumantes frescos.

Uma pena talvez, sendo os espumantes que nos ajudaram conquistar nosso lugar no mundo do vinho como produtor de excelentes “bebidas de borbulhas refrescantes”. O ano de 2022 foi o mais extremo desde 2018 quando o fenômeno La Niña passou a impactar na região. No Rio Grande do Sul, estado que concentra 90% da produção de vinhos nos do país, até videiras, que são pouco tolerantes à umidade e resistentes à seca, sofreram com essa nova configuração de “clima mediterrâneo”. Em novembro e dezembro, meses que os cachos das uvas começam a se formar e amadurecer, o índice de chuvas na Serra Gaúcha não chegou a 30% da média.

Com uma bela paisagem de parreiras carregadas de uvas para os turistas, a Vindima de 2022 promete uma grande celebração da colheita. Depois de boas safras nos anos de 2020 e 2021, as expectativas são de que 2022 se torne uma das principais safras do Brasil, de acordo com o Coordenador da IP Altos Montes e Sócio da Vinhos Fabian, Giovani Fabian.

Após estágios de dormência em um inverno rigoroso e brotação com uma boa fase de chuvas, que contribuiu para a formação dos cachos e boa quantidade em cada videira, o processo final de maturação depende de um esperado período de baixa nas chuvas para a qualidade da colheita.

Apesar de uma expectativa de safra menor que a de 2021, este ano, o foco é na qualidade dos vinhos. A safra de 2020, conhecida como “Safra das Safras” foi resultado de um ciclo semelhante ao de 2022. “Tudo indica que esta safra será parecida com a de 2020, com uvas de muita qualidade, resultando nos vinhos de alto padrão dos Altos Montes”, afirma o proprietário.

 

* Stefan Massinger nasceu na Áustria, sul de Viena, numa região de vinhos. Vive em Caraguatatuba, sendo master do grupo Wine, o maior e-commerce de vinhos da América Latina, treinando interessados como empreender no mundo do vinho. Também tem uma empresa de venda de vinhos on-line e atua também como consultor independente de negócios.

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