A Fundacc – Fundação Educacional e Cultural de Caraguatatuba – por deliberação da própria Presidente, Silmara Mattiazzo, instalou no antigo prédio da Setur – Secretaria Municipal de Turismo e Lazer – localizado na Praça Diógenes Ribeiro de Lima, cerca de 30 Camelôs, em detrimento e desrespeitando os Artesãos do município e o Regulamento da Femaac – Feira Municipal de Arte e Artesanato de Caraguatatuba. A Fundacc desconhece a instalação de Camelôs em espaço público.

A informação foi veiculada pelas Redes Sociais na madrugada do último domingo – seis de janeiro – com ampla repercussão pelos internautas. Segundo as informações estes Camelôs estavam instalados numa tenda no Parque de Diversões na praia do centro e posteriormente foram remanejados para a Praça Dr. Diógenes Ribeiro de Lima e passado um tempo, instalados no antigo prédio do Setur – Secretaria Municipal de Turismo e Lazer – no mesmo local.

O Blog Contra & Verso refere-se a estas pessoas como Camelôs pelo fato de não serem Artesãos registrados e muito menos cadastrados na Femaac – Feira Municipal de Arte e Artesanato de Caraguatatuba e por comprarem produtos prontos para revenda ao invés de produzi-los através de matéria prima bruta.

São cerca de 30 Camelôs instalados no prédio, a revelia da Femaac e por imposição da Presidência da Fundacc, em instalações dotadas de cobertura com laje e banheiros, ao contrário dos Artesãos, que pagam taxas municipais e convivem numa praça com estrutura precária, sofrendo com a chuva. A Praça do Artesão seria reformada em 2018, mas atrasos na Licitação transferiram a reforma para depois de março, ao final da temporada de Verão.

Os Camelôs são originários de São José dos Campos e região e foram trazidos pelo advogado Julimar dos Santos, que intermediou junto a Fundacc, por intermédio de sua esposa, de nome Mara Lima, uma artesã que não foi aprovada por falta de documentos como o Atestado de Residência. Segundo consta para entrar no prédio do Setur foi necessário destruir o cadeado, a base de marretadas, visto que não encontraram as chaves do local.

Segundo a Assessoria de Imprensa da Fundacc não existem Camelôs em Caraguatatuba e muito menos os mesmos estão instalados no antigo prédio da Setur e intermediados por um advogado de São José dos Campos.

O Blog Contra & Verso visitou o local na sexta-feira – 11 de janeiro e constatou a situação, similar a um Mercado Persa, onde artesãos registrados estão misturados a artesãos sem registro e Camelôs. As barracas instaladas no antigo prédio da Setur tem infinitamente uma melhor estrutura, em detrimento dos profissionais devidamente registrados na Femaac. Segundo apuramos são 18 o número de Camelôs instalados na área que inclui a Praça Dr. Diógenes Ribeiro de Lima e o antigo prédio da Setur.

Para se ter uma ideia a preocupação dos Camelôs com a “invasão” feita pela Presidente da Fundacc é grande. Mal chegamos e começamos a fotografar e fomos interpelados por uma mulher, que gritou para a senhora Mara Lima o que fazíamos no local. Iniciamos uma conversa com Mara Lima e em seguida um Peruano, que se diz artesão, ficou próximo para acompanhar a reportagem.

Mara Lima conta que não é viúva e não é esposa do advogado Julimar Santos. Ao mesmo tempo diz que a sua entrada na Femaac está sendo questionada graças a uma ação na justiça e que eles foram trazidos pela Presidente da Fundacc pois nos outros locais onde se encontravam não lhes foi permitido ficar e a instalação no atual local se deu depois de uma reunião entre a Femaac, a Fiscalização do Comércio e a Secretaria de Urbanismo, no dia três de janeiro.

Já o Presidente da Femaac, Henrique Lorenzo confirmou a sua presença na reunião e a aceitação da instalação dos Camelôs no prédio da Setur. “O prédio da Setur não faz parte da praça e muito menos da Feira de Artesanato, que é de responsabilidade da Femaac”, disse. Para Lorenzo, um Artesão Uruguaio na cidade há mais de 30 anos a instalação dos Camelôs não causa prejuízo aos Artesãos oficiais. “Não queremos a presença dos Camelôs no espaço da feira”, frisou.

Lorenzo conta que na reunião lhe foi dito que os Camelôs pagaram para trabalhar à Prefeitura. Perguntado sobre o valor ou se teria visto algum documento relativo ao pagamento, afirmou que nada lhe foi mostrado. A reportagem recebeu informações de que Lorenzo não irá renovar o seu alvará, deixará de ser Presidente e irá se tornar suplente de sua esposa, que também é artesã registrada.

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