*Stefan Massinger

 

Como avisei na minha última coluna, o consumo do vinho está em estagnação, porém em nível alto, no Brasil. Isso tem sem dúvida um reflexo no mercado nacional, que acabou de se aquecer e em qual, muitos sentiram grandes oportunidades para negócios. Vamos então analisar os “Top 3” para ter uma ideia do que está acontecendo.

Começamos com o número 3 dos grandes – o evino, antigo start-up paulista, que se tornou um jogador querido pelos preços baixos dos produtos na área do e-commerce. Evino adquiriu o Gran Cru, que depois de 2 anos de pandemia estava enfrentando certas dificuldades com a sua rede de lojas no país inteiro. Além de se tornar numero 3 no mercado por causa da fusão do número 5 e 6, o evino deste jeito segurou o acesso para o canal de vendas em lojas físicas. Consultores de venda personalizada agregam ao conceito de vendas da evino, para assim se tornar de uma certa maneira “omnichannel”, presentes em muitos canais – alguns observadores do mercado, como eu, constam, que o antigo número 5 e 6 do mercado, agora juntos sendo numero 3, está simplesmente copiando e tentando obter o mesmo sucesso que o número 1 – o capixaba grupo Wine, sobre qual vamos ler daqui a pouco.

É interessante de ver que o número 2 das importadoras no Brasil é o grupo Concha y Torre, com marcas fortes e queridos como Casiliero del Diablo, Reservado, Santa Helena entre outros. O grupo chileno conseguiu conquistar o paladar e os corações dos brasileiros, principalmente no setor dos vinhos industrializados de supermercado, de custos razoáveis. Claro, que a casa chilena também tem pérolas com o dom Melchior, o Concha y Torre Red Blend no sortimento, que alegram apreciadores de paladares mais exigentes. Por muito tempo os chilenos eram o numero 1 das importadoras de vinhos no nosso país, agora no número 2, por causa do grupo Wine, sobre o qual já já vamos ler aqui também. Interessante é, que o Concha y Torre cresceu organicamente nesta posição, sem grandes investimentos em e-commerce, clube de vinhos, lojas especificas ou algo de tipo. – Simplesmente conquistando o mercado brasileiro através dos produtos, que estão vendidos em literalmente todos os supermercados do país.

E o então “número um” das importadoras? – Sim o grupo Wine, fundado em 2008, se tornou o maior clube de vinhos por assinatura do mundo, o maior e-commerce de vinhos da América Latina e para chegar ao topo, com seu conceito de estar presente em todos os canais de venda, adquiriu no ano passado a importadora Cantú, dona de marcas como Rosé Piscine, e renomadas marcas como Suzana Balbo, Yellow Tail e Ventisquero entre outros. Mas não apenas pela simples aquisição a posição da empresa do Espirito Santo está forte. – Eles estão fortíssimos, porque os capixabas entenderam simplesmente a alma do negócio.  – De servir o cliente onde quer que ele esteja. Seja on-line no e-commerce, seja em lojas físicas, que a Wine está abrindo em todos os cantos do país, seja com embaixadores, pessoas altamente capacitadas para consultoria personalizada, ou simplesmente assinando uma mensalidade e recebendo vinhos e um jornal todo mês em casa, sem se preocupar com nada, e ainda tendo vantagens como sócio em todos os outros canais de vendas. Este foco deixou a Wine crescer e ser o forte numero um, que todos, literalmente todos os outros, estão tentando copiar, menos a Conche y Torre, que fica focada nos seus produtos.

Este conceito de estar presente em todos os canais possíveis, com assistência e consultoria; com presença física é algo único no mercado de vinhos do Brasil e fortaleceu, e sem dúvida, fortalecerá o grupo Wine ainda mais nesta época pós-pandêmica. O conceito é tão bem planejado e está mostrando resultados tão satisfatórios, que nenhum canal do grupo para de crescer. Ao contrário, este ano a empresa brasileira, a maior importadora de vinhos do Brasil, expandiu para Mexico, enxergando muitas similaridades com nosso mercado nacional. – Consumo de vinho crescendo, e os primeiros passos de introduzir o clube de vinhos lá, já está com resultados mais que satisfatórios.

 

Então sim, como sempre, quando há estagnação no mercado, os jogadores se juntam, uns saindo, outros entrando, e é o que está acontecendo no mercado brasileiro também. Quem ganha? Além dos grandes participantes neste jogo – com certeza os consumidores e por incrível que pareça, nosso vinho nacional, que está cada vez mais popular e com mais qualidade para já ter conquistado um lugar respeitado no mundo do vinho afora. Até o enoturismo está crescendo, tendo um projeto gigante a vista no sul do nosso país – o maior resort de enoturismo do mundo, sobre qual vou escrever numa das próximas colunas!

 

* Stefan Massinger nasceu na Áustria, sul de Viena, numa região de vinhos. Vive em Caraguatatuba, sendo master do grupo Wine, o maior e-commerce de vinhos da América Latina, responsável para gestão de pessoas e vendas. Também já trabalhou com venda de vinhos e atua também como consultor independente de negócios.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *