* Por Stefan Massinger

 

Apesar de ser um termo bastante usado, temos que entender que o velho mundo se refere à Europa, como foi a terra “onde tudo começou” se referindo ao vinho, claro. Então – simplificando, tudo, que está “fora da Europa” é o novo mundo. Estes termos são muito práticos, mas vamos ser mais exato no nosso cronograma e como a vinicultura se espalhou no mundo. Um país, que entrou na moda dos paladares dos brasileiros recentemente de novo é África do Sul. O país entrou na produção de vinhos no século 16, com a colonização pelos holandeses e continuou sendo um país significante na produção de vinhos pelos britânicos.

Interessante é que nem Holanda nem as ilhas britânicas conseguem cultivar vinho de qualidade da altura como outras nações europeias, principalmente os vizinhos franceses. Mas ambas nações até hoje são mercados importantes de consumidores de vinhos.  Mas vamos voltar à história do vinho e a expansão da vinicultura no novo mundo.

Até o final dos anos 1860, a maior parte da produção sul-africana era exportada para o Reino Unido. Depois disso, acordos entre a Grã-Bretanha e a França prejudicaram esse cenário, e os vinhos da África do Sul tiveram sua produção e circulação no mercado internacional significativamente reduzidas por mais de um século, até o final do apartheid, em 1994.

Por último, por meio de mudas trazidas do continente africano, o vinho chegou à Austrália e à Nova Zelândia, no final do século XVIII. Ainda assim, até pouco tempo atrás, a produção desses países era destinada quase exclusivamente ao consumo interno ou exportação para o Reino Unido.

 

Assim como no caso da África do Sul, portanto, os vinhos do Novíssimo Mundo só começaram a ser conhecidos (e apreciados!) em outros cantos do globo muito recentemente, mas alguns vinicultores já fazem fama pela qualidade de seus produtos. Sem dúvida o que prejudica os produtores sul-africanos, australianos e nova zelandeses é a posição geográfica dos países. O mundo está cada vez mais conectado e a tecnologia, principalmente na área da comunicação está cada vez mais avançada, mas para um produto físico, ainda os custos de transporte são um peso, quando se quer conquistar o mundo. Vinhos de países, com todo carinho, afastados, tem que ser transportados ou via avião ou em contêineres refrigerados para garantir a chegada dos produtos em excelente qualidade, que os vinhos do novo mundo têm. Estes custos deixem de virar vinhos destes países mesmo em qualidade média se tornar em algo luxuoso, porque encareceram por causa do transporte. Existem vinhos nas prateleiras dos mercados brasileiros da África do Sul ou da Austrália na faixa de R$ 50 – por mim um verdadeiro milagre e eu estou curioso, que ganha neste negócio, a menor parte certamente o produtor, o maior o estado pelos impostos…e uma boa parte a transportadora. Então pode ser que temos a impressão, que vinhos dos países mais afastados das rotas tradicionais de transporte são da qualidade média e relativamente caro, ou são excelentes e tão caros, que parecem difícil de adquirir aqui no Brasil. É uma percepção injusto, os custos da logística simplesmente pesam demais e a qualidade dos vinhos sul-africanos, australianos e nova zelandeses é muito boa.

 

* Stefan Massinger é embaixador do grupo Wine, o maior e-commerce de vinhos da América Latina, administra um curso on-line, um podcast e é consultor independente de negócios.

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