*Por Stefan Massinger

 

Os romanos, com toda grandeza e todos importantes realizações e invenções, que fizeram, não eram como os gregos um povo culto e admiradores da filosofia. Os romanos em primeiro lugar eram agricultores e soldados. Me permitem de descrever eles como mais rústicos que os gregos, que já eram mais refinados no dia a dia e culturalmente falando.  Então não surpreende, que quando o vinho chegou da Grécia pela primeira vez, em mais ou menos 1000 a.C., os romanos não se interessaram muito pela bebida. Era relativamente complicado para cultivar e era uma bebida considerado leve (lembre-se que na época não se fez vinhos muitos encorpados). O negócio dos romanos, era mesmo a cerveja, e o pouco vinho produzido era logo exportado para os bárbaros que viviam depois dos Alpes. – Por incrível que parece, os povos do norte dos Alpes gostaram do vinho. Já se produziu “met” (=hidromel) uma bebida dos antigos povos do norte da Europa, que é algo como vinho do mel, uma bebida fermentada à base de mel para ser mais exato.

Temos que mencionar que a expansão romana e tudo que aconteceu culturalmente foi baseado em expansão bélica. Os romanos, como escrevi, eram agricultores e soldados, mas tinham o talento de não erradicar outras culturas, claro os povos sempre tiveram que se submeter ao jugo de Roma, mas continuavam com as indústrias e comércios deles. Fenícios para construir barcos, etruscos como engenheiros da infraestrutura dos aquedutos e por aí até os próprios gregos, que deram a herança para Roma da religião, filosofia, matemática e cultura.

E o vinho então? Foi só perto do século I a.C., depois da Batalha de Cartago, quando os romanos saquearam a cidade (localizada na atual Tunísia) e encontraram livros sobre a vinicultura, que se espalhou do antigo Egípcio e dos gregos na região e já era parte do dia-a-dia do Carthago e outros povos norte da África. Então de lá, os romanos trouxeram conhecimento e até escravos sábios, que começaram a fundar a vinicultura na Itália. Quem diria, hein, considerando Itália hoje como maior exportador do mundo de vinhos…

Com o desenvolvimento da agricultura, algo que os romanos sempre enfatizaram, principalmente para manter os soldados, que foram milhões de homens, bem nutridos e satisfeitos – então nem cerveja, e logo depois, que pegaram gosto nem vinho poderia faltar nas legiões romanos.  Os romanos começaram a se tornar verdadeiros experts no cultivo das uvas e na produção do vinho. Um outro dom, que os romanos tinham, era a escritura. Historiadores brincam, que no antigo Roma teve “manual” e “comentários” e “instruções” para tudo.  Assim influenciaram muito a cultura do vinho também. Eles foram responsáveis por catalogar e classificar diversos tipos diferentes de uvas viníferas, inventaram o barril de madeira e descobriram o efeito do tipo de madeira usada sobre o sabor do vinho no amadurecimento. – Que benção, não? – Para nos enófilos, que gostam as diferentes notas de taninos tostados de baunilha, tabaco ou madeira nos encorpados vinhos, madurados na madeira – tanto da península Ibérica, quanto nos países como Itália, França ou da Europa central.

Pensando em península ibérica, foram os romanos que trouxeram a arte de cultivar vinho na região. A melhor testemunha até hoje é a cidade de Tarragona, na Catalunha, um dos centros mais antigos da produção de vinho europeu. Outros lugares chaves na produção do vinho, que foram fundadas pelos romanos foram regiões como Moldávia e as regiões do vale do Danúbio na Europa central.

 

* Stefan Massinger é embaixador do grupo Wine, o maior e-commerce de vinhos da América Latina, administra um curso on-line, um podcast e é consultor independente de negócios.

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