*Por Stefan Massinger

 

Saca Rolha, garrafa, barril entre outros acessórios e utensílios, são algo comum para apreciadores de vinho de hoje. Mas durante a história do vinho não ficou do jeito como estamos acostumados no consumo de vinho de hoje.

De 7.000 a 5.000 A.C. diz-se que surgiram as primeiras vinhas do mundo. As mais antigas vinhas cultivadas no mundo foram encontradas na Geórgia, na região do Cáucaso, e datam da Idade da Pedra.

Cientistas acreditam que esses são os primeiros indícios de Viticultura, ou seja, de um plantio organizado feito pelo homem. Acredita-se que os vinhos tenham surgido também nesse período, apesar de as primeiras prensas e outros equipamentos Vitivinícolas terem sido encontrados na Armênia em 4.000 a.C. Em 1.500 A.C. chegaram as primeiras ânforas como utensilio necessário para o armazenamento do vinho. Ânfora, em grego, significa algo que pode ser carregado por duas pessoas. Historiadores apontam que isso foi uma invenção dos cananeus, povo que habitava uma região do Oriente Médio e que introduziu esse recipiente propício para transportar vinho (e também outros produtos) no Egito por volta de 1.500 a. C.

As ânforas foram usadas para transportar e armazenar vinho por séculos até quase a Idade Média. Já em 200 D.C. chegou a invenção dos barris.

As ânforas só foram substituídas pelos barris no transporte de vinhos no fim do Império Romano, no começo da Idade Média. Acredita-se que as barricas de transporte de vinho foram inventadas pelos celtas quando esses passaram a vender vinho para a Itália. A arte da Tanoaria pouco se modificou com o passar dos tempos e a estrutura dos barris de hoje é muito semelhante à dos primeiros barris.

Em 1487 foi registrado por lei o regulamentado do uso do enxofre. Um decreto real na Alemanha permitiu e regulou a adição de enxofre no vinho pela primeira vez em 1487. A prática para ajudar na conservação e higienização do vinho era antiga, conhecida e utilizada provavelmente desde o Império Romano, porém, foi a primeira vez que foi “normatizada” por lei.

Só em 1630 pode se falar da “revolução das garrafas”. Apesar de as primeiras garrafas de vidro serem bastante antigas, foi somente durante a Revolução Industrial que surgiram as primeiras em produção em série com qualidade e baratas o suficiente para transformar a indústria do vinho. Surgia um modo seguro de vedar a bebida. Acredita-se que o inventor da garrafa de vinho cilíndrica (com vidro mais resistente e translúcido), como hoje a conhecemos, foi o inglês Kenelm Digby, por volta de 1630.

No mesmo século, logicamente junto com a invenção das garrafas, em 1681 surgiu a primeira menção ao saca-rolha. As garrafas de vinho já estavam sendo produzidas e já se sabia que a rolha de cortiça era a melhor forma de vedá-las, mas a maneira de retirá-las ainda era rudimentar. Antes de existir o saca-rolhas, a cortiça não era enfiada totalmente no gargalo para poder ser tirada com a mão. A primeira menção a um “parafuso de aço para retirar rolhas” é de 1681 e a palavra saca-rolhas só foi cunhada em 1720.

A partir daí mudou se o formato, a qualidade das rolhas e as matérias da vedação das garrafas, mas não se registre algo grande que seria notável. Praticamente estamos tomando vinho como no século 17. As invenções se concentravam desde então mais na produção e na resistência das plantas. Claro, que houve invenções como o bag in box, para armazenar vinho em sacos de 5 litros dentro duma caixa para facilitar o armazenamento e evitar o contato com oxigênio. Mas estas inovações não substituíram a boa e velha garrafa de vidro do vinho.

 

* Stefan Massinger é embaixador do grupo Wine, o maior e-commerce de vinhos da América Latina, administra um curso on-line, um podcast e é consultor independente de negócios.

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