*Ana Paula

 

Um relacionamento abusivo não começa num cenário frio e sombrio.

Nem todo relacionamento abusivo é composto por agressões físicas. Assim como ele não existe apenas entre um casal.

Encontramos relacionamentos abusivos em vários aspectos: pais e filhos, amigos, líderes (sejam esses profissionais ou religiosos).

Mas afinal, o que é um Relacionamento Abusivo?

Define-se como relacionamento abusivo, toda e qualquer relação que apresenta abuso físico e/ou emocional.

Um abusador (seja homem ou mulher), busca envolver em palavras doces, apresenta uma compreensão que talvez o outro nunca teve, seja no ciclo familiar ou de amigos; ganha confiança aos poucos, enquanto vai descobrindo pontos fracos para fortalecer a relação.

Nem sempre é fácil identificar um relacionamento abusivo. Mas é imprescindível que estejamos atentos aos sinais. E sim, esses sinais existem e você não pode ignorá-los.

Todo abusador é manipulador. Ele tenta mudar seu modo de pensar e agir, com diferentes artimanhas, em benefício próprio.

Começa com pequenas privações, quase imperceptíveis, que é justamente pra que você não perceba que está nesse tipo de relação. Pode ser por exemplo, afastar você de alguns amigos ou familiares. Isso ele já faz intencionalmente para ter um campo de atuação mais vasto. Uma vez longe dessas pessoas, a vítima se torna alvo cada vez mais fácil.

Quando se começa um namoro, por exemplo, é fácil ouvirmos o comentário: “fulano (a) sumiu; mas também…está namorando agora”!  Isso para nós até é normal. Mas não deveria ser. Pois estar entre amigos/ familiares no início de um relacionamento, pode nesses casos, ser até uma prevenção.

Geralmente a vítima não percebendo a relação tóxica, começa até a justificar o distanciamento dos amigos, dizendo que nem era tão bom como pensava. Enquanto isso o abusador vai ficando cada vez mais forte. Na verdade, quem dá a ele tais munições, infelizmente é a própria vítima.

O abusador vai conhecendo seus pontos frágeis e minando seus pontos fortes. E nessa caminhada a vítima vai perdendo aos poucos sua identidade: já não faz mais o que gosta com a mesma frequência, porque afinal, as programações dele é melhor, o curso que ele sugeriu é melhor do que aquele que ela tinha em mente, sua crença é até boa mas a dele é melhor pra ambos, o emprego que ela tem é bacana, mas se tiver coragem pra sair dele e ir pra outro que ele te sugeriu, vai ser melhor. E quando a vítima assim faz, ele a enche de elogios louvando sua coragem.

Mas infelizmente por trás de tudo isso tem o desejo de controlar a relação, afinal, estava muito rodeada(o) de pessoas que podiam interferir nisso. E isso pode acontecer em qualquer tipo de relação, seja: entre amigos, parentes, líderes ou casal.

Em um casal, crises intensas de ciúme são facilmente chamadas de amor, ou no mínimo, transfere a culpa para a vítima: “porque se você não tivesse com aquela roupa, se você não tivesse dito aquilo, eu jamais teria tido tal atitude”.

Com a mente completamente abalada emocionalmente, a vítima assume a culpa, afinal, se ele tem ciúme é porque a ama; se ela mudar essas atitudes, ele não vai mais xingar, nem dar empurrões ou beliscões. Mesmo porque ele nem bateu, então não é relacionamento abusivo.

E nessa caminhada de pensamentos distorcidos e enganosos, esse mal cresce em nosso meio sem que a gente consiga ter muito êxito na luta contra ele.

O abusador sempre faz a vítima ficar com dúvidas sobre fatos ocorridos, porque na dúvida, a culpa nunca é dele. Foi sempre o outro quem provocou com sua desconfiança ou foi sua roupa e por aí vai.

Ele sempre vai tentar convencer de que as pessoas do seu convívio atrapalham a relação de vocês, que colocam “coisas” na sua cabeça que não tem nada a ver e que a vítima pode estar estragando um relacionamento bonito contando à alguém das briguinhas, afinal são apenas “briguinhas” que todo casal tem.

Essa prisão vai ficando cada dia mais potente, o predador mais fortalecido e a presa mais fraca diante da situação.

Um abusador geralmente consegue calar a sua voz com a voz dele. Ele sempre responde acusações com acusações até que ele mesmo não seja mais acusado. Diz que é você que está deixando-o nervoso, depois se mostra arrependido. Uns até choram dizendo que não queria ter chegado à tal ponto e que mais uma vez você o levou à isso. Daí vem os pedidos de desculpas, as declarações de “amor”.

Alguns até dizem: “eu sei que você merece alguém melhor do que eu”. Mas logo encobrem essa frase com o famoso “eu te amo”.

Os outros relacionamentos do abusador???

Ah…o descontrolado, louco, invasivo e inseguro, nunca foi ele. O problema é que ele nunca foi bem entendido. Essa é uma das falas dele.

Este texto continua na próxima semana!!!

 

*Ana Paula,41 anos, nascida em Pernambuco. Escritora de livros voltados para o público feminino. Criadora da página @conectadaspelaalma, no Instagram, onde escreve e publica depoimentos de superação de mulheres marcadas pelos desafios da vida.

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