*Stefan Massinger

 

Continuaremos aprender sobre as simposias. Lembrando, que eram encontros entre homens depois do jantar, tomando vinho misturado com água do mar. As mulheres participantes eram serviçais ou prostitutas e considerado “barbaras” – tudo que não é grego e muito menos nobre. Porque eles tomaram o vinho doce puro, se embriagaram mais rápido e chegaram mais rápido até Dionísio deste jeito …Bom, é muito comum vermos em cerâmicas da antiguidade grega retratarem estas cenas. Normalmente esses krateres ou os potes onde se faziam os vinhos retratavam essas cenas retratando os momentos dos simpósios. Nas comédias gregas a visão do feminino associado a bebida era sempre jocosa, reproduziam momentos de embriagues, muito provavelmente para intimidar as mulheres praticantes destes momentos de prazer e sedução à Dionísio.

Os gregos, normalmente eram mais moderados que os romanos. Entre os gregos normalmente o ato de beber não era um hábito em si, geralmente a bebida pura e simples ou a embriagues como circunstância isolada era tida como procedimento menor. Já os romanos eram retratados na história como bebedores mais entusiastas que gregos. Em nossa própria historiografia, comumente reputamos aos romanos e não aos gregos as grandes festas, orgias e bacanais. (festa em homenagem ao Baco, nome romano do Dionísio)

A versão romana dos simpósios era o convivium, apesar de mais amplo que o simpósio era um evento formal, regado a comidas e bebidas exóticas. Um verdadeiro banquete, que ao longo da história foi reproduzido em diferentes ocasiões. Sua importância era tamanha, assim como os banquetes medievais, os vitorianos ou mesmo os franceses da corte de Luís XIV. Nestes eventos, que podem ser observados nos afrescos de casas importantes de Pompéia, os convidados traziam seus serviçais. Os convidados eram recebidos, tiravam-lhes as sandálias, lavavam seus pés com água, enquanto bebiam. As mãos, eram lavadas com vinho e geralmente bebiam também como os gregos um vinho doce, chamado de malsum.

O historiador Roy Strong, em “Banquete, uma história da culinária, dos costumes e da fartura à mesa”, relata os excessos deste que era sem dúvida um dos atos mais significativos da cultura romana. A fartura indicava poder, status político e social. Oferecer ao conviva ilustre a mais inusitada iguaria um ato de respeito e subserviência que deveria ser recíproco. Os exotismos não era um exagero, era um sintoma de relevância sócio-econômica.

O relato conta que não era apenas um jantar, era um ato social muito importante, um momento que representa a civilidade e a cultura dos convivas. O jantar, geralmente dividido em três partes, nos remete muito significativamente ao nosso momento, entrada, prato principal e sobremesa, ou ao que guardamos desta herança. Não era apenas pratos, eram encenações e esculturas de alimentos. Era muito comum a surpresa ao abrir um ovo e encontrar uma iguaria temperada. Um carneiro ou um bode, cujo ventre era aberto e saiam lingüiças e outras comidas feitas para rechear. Tudo regado ao mais farto do vinho.

O mais importante destas descrições é remetermos esses fatos históricos às tradições que guardamos conosco até hoje e nem nos damos conta de como elas estão presentes em nosso cotidiano consciente ou não. Quanto desses momentos relatados já não fizeram parte de nossa cena de convivência entre amigos e convidados, ilustres ou não. Fato é que recorrer a esses momentos históricos nos possibilitam entendermos um pouco mais de nós mesmos.

 

 

* Stefan Massinger nasceu na Áustria, sul de Viena, numa região de vinhos. Vive em Caraguatatuba, sendo master do grupo Wine, o maior e-commerce de vinhos da América Latina, treinando interessados como empreender no mundo do vinho. Também tem uma empresa de venda de vinhos on-line e atua também como consultor independente de negócios.

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