Após sete dias de paralisação parcial terminou ontem – 12 de novembro, segunda-feira – a Greve dos Transportes Coletivos em Caraguatatuba com o Sindicato da categoria aceitando a contraproposta da diretoria da Praiamar. A aceitação veio do temor de perder o pouco conquistado no TRT – Tribunal Regional do Trabalho. Passado o movimento o Sindicato promete uma luta incansável pelas falhas e erros cometidos pela empresa e que não estão sendo respeitados no contrato com a Prefeitura.

O STTRUCAD – Sindicato da categoria que representa os motoristas no Litoral Norte iniciou em cinco de novembro, depois de realizar todo o trâmite obrigatório por lei, um momento de greve pelo aumento dos salários dos motoristas da Praiamar – Concessionária dos Transportes Coletivos em Caraguatatuba. O movimento de greve antecedeu comunicação via ofício das intenções e propostas do Sindicato e de uma reunião, realizada no escritório do advogado da empresa, em 31 de outubro.

O Sindicato reclama da defasagem de 22% nos salários, em relação com outros motoristas na cidade, como os entregadores de bebida. O STTRUCAD propôs o aumento escalonado na seguinte forma; 10% na folha de outubro, seis por cento em maio de 2019 e o restante em maio de 2020. Para os sindicalistas o que pesa além do salário baixo é a dupla função realizada pelos motoristas, que além de dirigir e proteger os usuários, fazem o trabalho do cobrador e o de assistente no caso dos cadeirantes.

Na reunião realizada há duas semanas a Praiamar ofereceu 1,69% de INPC – Índice Nacional de Preços ao Consumidor, relativo aos últimos 12 meses, mais 2,31% de aumento real, o que não foi aceito pela categoria e devido a isso, uma greve foi marcada para iniciar no dia cinco de novembro. Seguindo uma determinação do TRT 60% da frota deveria permanecer rodando para não causar maiores prejuízos a população. O que se seguiu foram filas intermináveis, demora além do normal a espera dos ônibus e alguns carros com pneus furados e esvaziados, com acusações mútuas entre o sindicato e a empresa. Na última quinta-feira foi realizada uma Audiência no TRT em Campinas, quando a Praiamar ofereceu 4,58% de aumento, com a mudança na data base para novembro. Temendo perder o pouco que foi conquistado se o dissídio fosse a julgamento, os sindicalistas acharam melhor aceitar a proposta dos patrões.

Mesmo com a aceitação no TRT faltava a comprovação com uma assembleia dos trabalhadores. Uma primeira assembleia rejeitou a proposta, mas na segunda tentativa houve a aceitação na sexta-feira, com o retorno ao trabalho normal na segunda – cinco de novembro. Com a proposta o salário do motorista passa para R$ 1.619,00 com o mesmo índice sendo aplicado para o Vale-Alimentação e o PLR – Plano de Lucros e Resultados. Ainda sobre a audiência, 50% dos dias parados serão abonados e o restante serão compensados, ficando a Praiamar proibida de fazer demissões sem motivação num prazo de 60 dias.

A Câmara Municipal manteve-se quieta sobre o movimento, com poucas e isoladas manifestações de alguns Vereadores. A Prefeitura situou-se ao largo da situação, pelo menos até o dia sete de novembro – quinta-feira – quando o Prefeito em exercício, Campos Júnior, foi até a FM local e na sua manifestação, mostrou-se contrário e crítico a concessionária Praiamar.

Para o Presidente do STTRUCAD a luta não acabou, pois o sindicato promete implantar uma campanha sistemática, com o apoio da população, para combater e resolver as obrigações e falhas contidas no contrato entre a Praiamar e a Prefeitura e que não estão sendo respeitadas, entre elas a dupla função. O sindicato quer o contrato cumprido a risca pois vários itens não estão sendo respeitados e outros são passíveis até de quebra de contrato. “Tivemos apoio apenas da população. Tanto a Câmara como a Prefeitura fizeram apenas cena, falaram bastante e nada fizeram por nós”, disse Francisco Israel, presidente do STTRUCAD.

Fotos: Camilo Néder e STTRUCAD

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